sábado, 19 de novembro de 2011

Etnoafro-O negro na Moda e na Mídia








É com enorme prazer que convidamos todos vocês para participar da Etnoafro-Semana da Consciência Negra da PUC-RIO. Durante o evento que acontecerá do dia 21/11 ao 25/11 no Campus da PUC-Rio, haverá a exposição GLAMAZÔNIA  elaborada pelo fotógrafo cameronês Mario Epanya.

Não percam no dia 21 de novembro na abertura do evento, um ciclo de palestras cuja temática é o negro na mídia e na moda.

Participarão das conferências nomes como Oskar Metsavaht, diretor criativo da Osklen e Frei David, da Educafro, o fotógrafo Mario Epanya, dentre outros. Confira a programação!



Etnoafro-O negro na  moda e na mídia. 


10h30 – 11h
COSTURANDO O EVENTO
Ricardo Oiticica (Cátedra UNESCO) e Luana Génot, orgs.

11h – 13h
DE CARA COM O FOTÓGRAFO
Autorretrato de um camaronês em Paris: Mario Epanya e o preconceito na moda

13h – 15h
PANORAMA: a imagem do negro na moda e na mídia
Denise Pini da Fonseca (coord.)
Oskar Metsavaht, Osklen
Frei David, Educafro
Mario Epanya,fotógrafo
Luana Génot, modelo 40 graus

15h – 17h
TRÊS POR QUATRO: olhares sobre a moda
Sonia Giacomini: por uma sociologia da moda
Adair Rocha: por um tecido social
Lorena Passos: pelos direitos do modelo
Clarissa Monteagudo, Jornal Extra

17h COQUETEL

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Leilas Lopes/ I have a dream



Não sou muito ligada aos concursos de Miss, mas não precisava estar muito antenado para saber que a vitoria da angolana Leila Lopes ia dar o que falar. Na verdade, ja tinha dado muito antes da decisão do juri, quando foram feitas apostas dos repugnantes membros do Stormfront, um site internacional que se define nacionalista branco.

Em matéria feita pelo G1,
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/09/candidatas-negras-ao-miss-universo-sofrem-racismo-em-site-nacionalista.html

Eles afirmam que a vencedora do Miss Universo seria uma negra pelo fato de o concurso ser realizado no Brasil,e que os jurados fariam média num pais miscigenado.

Um dos membros chegou inclusive a dizer que Leila iria ganhar, pois "estava mais para mulata".

"é certeza que uma negra ganha essa, provavelmente a Angola (tá mais para uma mulata). Por quê? Primeiro:
Liberais. Segundo: jurados querendo fazer média com Africanos, e seus descendentes como Brasilóides"

Não da para ser hipocrita ao somente criticar os stormfront, sites de redes sociais como o do twitter também estavam cheios de comentarios criticando, ou exaltando a beleza negra.

Haviam coments do tipo: "ela nem é tão bonita, parece uma menina da comunidade", ou: "ai, que bom que finalmente deixaram uma negra ganhar neste concurso".

Para quem não sabe, Leila foi a quarta a ganhar o concurso. Vejam um historico postado no blog. E que devera sair no jornal Extra do proximo domingo.

http://www.theangelica.com/2011/09/miss-universo-e-negrae-dai.html

I have a dream...

Que um dia a imagem do negro não seja enaltecida por pena, ou por regra, nem tampouco depreciada graças ao vigor de um "default estético branco" perpetuado e absolvido pela cultura brasileira. Que por sua vez, faz ecoar nos discursos de Rodrigos Lombardis e Anas Marias Bragas da vida, a imagem de que todo negro tem que saber sambar, e que quando tem um desempenho brilhante é visto como loiro de olhos verdes. Ou ainda em outros discursos cotidianos mergulhados na ignorância: "ahh enfim, o primeiro negro a vencer na formula um", "o primeiro presidente negro", "a primeira miss universo negra". Como se nossas conquistas fossem reduzidas a poucas excessões. Que, por sua vez, correm o risco de serem esquecidas pelos livros infantis que alimentam as crianças, ocultando toda uma historia profundamente complexa de um continente e sua diaspora e reduzem-na a escravidão, sofrimento e submissão e feiura.

Que venham muitas outras como Leila, Mpules Kwelagobe,Wendy Fitzwilliam, Janelle Commisiong,...

E que digam a verdade, Machado de Assis não era grego, era negro!

PS: Gente, loucura total. Estive monitorando o blog este tempo todo que pareço ausente. Não parei de escrever não, estou trabalhando em projetos desafiadores que vão explorar ainda mais a tematica abordada aqui nOLADONEGRODAMODA. Aguardem!

sábado, 29 de janeiro de 2011

O que mudou apos cotas raciais no Fashion Rio?



Hoje é o 3° dia de SPFW .E esta é na quarta edição do evento apos o estabelecimento das cotas raciais. So para lembrar, esta foi uma medida sugestiva do Ministerio publico de Maio de 2009 para que as grifes das principais semanas de moda brasileras contassem com pelo menos 10 por cento de seu castings com modelos negros.

Num levantamento recente com base nas fotos do site chic,o fashion Rio outono inverno 2011 ,que ja acabou ha duas semanas, apresentou em suas passarelas cerca de 895 novos looks em 42 desfiles incluindo o prêmio Rio moda hype e o fashion business.

Destes,cerca 92 foram vestidos por modelos negros.O que significaria pouco mais de 10 por cento de representatividade. O que não evitou que algumas grifes não exibissem nenhum de seus looks vestidos por modelos negros.

Vale ressaltar que o que teria colaborado para o alcance desta marca quantitativa foi a realização do desfile da marca OESTUDIO que teve seu casting quase interamente composto por modelos negros.

Ou seja, numericamente, sem a apresentação da OESTUDIO,a quantidade de looks seria reduzido para 869 e, consequentemente, dos que foram vestidos por negros para 68.
O que acarretaria um percentual bem menor que 10 por cento de representatividade dos negros nas passarelas.

O curioso em tudo isso é que ainda no site chic é possivel visualizar informações sobre todas as marcas integrantes das semanas de moda e é interessante notar que boa  parte das que estiveram neste Fashion Rio exporta suas roupas para paises africanos com destaque para Angola, Africa do Sul e Moçambique.

Dai, surge a seguinte pergunta: como explicar o "não uso" de modelos negros mesmo quando ha um potencial mercado consumidor neste perfil?

Outra grande surpresa da ultima edição do fashion Rio, neste quesito, foi devido ao sumiço das tops negras Samira e Carmelita, que nas edições anteriores eram figuras ctrl+c,ctrl+V de quase todos os desfiles.
Esta edição pareceu dar mais espaço para a variedade de modelos negros presentes no mercado da moda .
Se bem que, na maioria dos desfiles, podia-se notar a presença constante de modelos tops como  Ana Bela e da morena Lais Ribeiro. Ja era possivel ver rostos mais diversificados ,O que, na minha opinião, ja é um passo para a mudança e quebra do "monopolio dos pacotes de modelos" que foi  geralmente exercido de maneira abusiva nas semanas de moda anteriores.
Também é verdade que este percentuam aproximado de 10% de modelos negros na passarela ainda pode ser considerado pouco numa população miscigenada, a qual mais de 50% considerada negra

Apesar disso,Helder Dias, dono da agência de modelos especializada em negros em São Paulo,em entrevista, afirmou que para ele nada mudou apos o estabelecimento das cotas raciais.
E que, na verdade, a moda e a publicidade continuam bookando poucas negras e quando o fazem dão preferencia sobretudo àquelas que têm traços de pele e cabelos menos étnicos.Vide a Vogue de Janeiro, que ainda, segundo Helder não soube aproveitar bem a diversidade étnica do pais.

O lado negro da moda quer o que você tem observado de diferente apos o estabelecimento das cotas?
Dê sua opinião ;)

E que a força esteja com você!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dicas de maquiagem para cabelos e pele negra. O que vc acha?

Atendendo a pedidos, aqui vai o post com o link da matéria feita pela GNT sobre dicas de maquiagem para cabelos e pele negra.


http://gnt.globo.com/gntfashion/Noticias/Confira-dicas-de-maquiagem-para-pele-negra-e-cuidados-com-os-cabelos-no--GNT-Fashion-.shtml

Espero realmente que este tipo de matéria não seja apenas uma tendência passageira , mas que se propague pelas demais coleções e épocas. Precisamos de dicas e conselhos sempre!

Assista e dê sua opinião.
Aproveite para ver se reconhece a blogueira que vos fala ;)

Que a força esteja com você!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As novas carinhas do Brasil



Depois do calendario da Pirelli, apos alguns meses de votação popular pelo site oficial da marca, este é o novo calendario Johnson's baby.

Adorei a diversidade étnica apresentada!

Este calendario não é a cara do Brasil ? 12 meses representados por 12 bebezinhos. Nenhum é negro!

Agora é a vez da Teuto selecionar o bebezinho modelo. Vocês podem acompanhar a campanha pelo site e ver no que vai dar:
http://hipodermeomega.cvdigital.com.br/?pg=home

Se a votação for mesmo popular, so depende de nos ,como consumidores, exigirmos e votarmos por calendarios,e bebezinhos de concursos que representem realmente a diversidade racial do Brasil.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vogue Brasil chega ao séc XXI?

 A revista Vogue Brasil, sob nova direção, finalmente presenteou seus leitores com uma Black Issue,três anos apos a inicativa da Vogue Italia. 
Sera que a Vogue Brasil saiu do séc XIX e  finalmente chegou ao século XXI?
A edição de janeiro da revista tem somente modelos negras em seus 4 editoriais de moda. São elas Iman Chanel,Gracie Carvalho, Emanuela de Paula e Jourdan Dunn. 
A atitude é de certa forma positiva, mas não sei se tão revolucionaria assim, afinal  podemos e devemos nos questionar  acerca de, pelo menos, dois aspectos desta revista.
1° A chamada "Brasil em alta" (no canto direito da capa),por exemplo,parece não se aplicar muito bem quando relacionada às modelos fotografadas.
Uma vez que das 4 meninas somente 2 sao brasileiras.Deste jeito parece que estamos bem longe de nos livrarmos da "sindrome de colonizados", e que "o terreno do vizinho" continua, na verdade," mais verde e fashion que o nosso..."
No entanto, bem sabemos que não é bem assim, afinal, modelos negras, lindas e de talento o Brasil tem de sobra...
Usa-se o argumento de que muitas das modelos negras não têm talento. O pior déficit notado e comprovado estatisticamente o de oportunidades mesmo!
Acredito que a Vogue deva investir cada vez mais para ter a cara do Brasil. Uma identidade propria pode fazer a Vogue ainda amadurecer e muito...
O que significa que, não se deve copiar as outras, so porque a Vogue Paris ou a Alemã, por exemplo, também quase não usam negros.

Precisamos agora não somente de uma "black issue". Mas sim de edições que premiem os leitores com aparições pontuais multietnicas ,ou seja, com paginas mais diversificadas entre brancas, negras com cara de brancas, negras com cara de negras,morenas,amarelas,...

Leia mais sobre modelos negras "com cara de brancas".

Vale lembrar que valorizar a "matéria-prima" nacional, neste caso, também pode ajudar muito na economia fashion do pais. Assim,poderemos ter uma "balança comercial" mais favoravel, isto é exportando mais e importando menos modelos,padrões, tendências...
Além disso, a pardtir de então, quem sabe futuramente poderemos ter mais brasileiras negras sendo classificadas como modelos relevantes...

Veja quais são as modelos negras que a revista Vogue consideradas como as mais importantes. Uma ajudinha cultural para quem so conhecia a Naomi:

Nesta black issue  da Vogue, por exemplo, nota-se somente a marca lança perfume usou a morena Lais Ribeiro para sua campanha.

E notavel que as marcas em suas campanhas ainda quase não utilizam negras. 

Vamos torcer para que a iniciativa da Vogue contagie também as marcas que ao fazer suas campanhas pensem em diversificar não somente na criatividade da roupas, peças ou
dos cenarios usados, mas também nos seus personagens.

Ja é mais do que sabido que o publico ja esta cansado de ser massacrado visualmente com somente modelos brancas estampadas nas fachadas dos shoppings e outdoors...

Alôô,marcas abram ja os seus olhos para não perderem seu publico!!

Onda negra?
A L'officiel Paris "Noir is beautiful" (Negro é lindo) de Novembro de 2010 também publicou uma matéria sobre Obama e a cultura negra.

So que nesta edição a capa não estampa uma modelo negra e tampouco as paginas.

Esperamos que o fato de modelos negras e da cultura negra ganharem mais visibilidade nas revistas e passarelas não seja somente uma tendência e sim um passo para um futuro o qual a diversidade étnica do pais e do mundo sera mais respeitada e tratada de forma cada vez mais natural. 

Que a força esteja conosco!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

OESTUDIO e a COM CIÊNCIA NEGRA

OESTUDIO está com a bola da vez. A grife vai colocar somente modelos negros em seu desfile da temporada de inverno 2011 no Fashion RIO. Vale lembrar que este é um fato histórico, pois durante as coleções de inverno as marcas costumam usar poucos ou nenhum negro. Os motivos dados são diversos e pra lá de questionáveis. Leia mais no post:

A coleção COM CIÊNCIA NEGRA, em seu release, parece inspirar-se num poema de Aimé Césaire que interpreta os significados da palavra negro na sociedade. Césaire desmascarou liricamente a hipocrisia e expôs o real valor atribuido ao negro na sociedade: " a palavra "negro", saindo toda armada do berro de
uma flor venenosa, (...) a palavra “negro” como o último riso velado da inocência...."



A coleção COM CIÊNCIA NEGRA,  construída a partir de uma oficina realizada pelo OESTUDIO com os alunos da OI Kabum!,  promove através da via fashion uma nova reflexão sobre o significado do negro nos dias atuais: " A cor. O preto. O negro. O pigmento. A pele. A História. A Mistura. O de fora. O de dentro."
O resultado são 50 peças onde predominam o preto e suas variações e, para completar, tons de vermelho representando o sangue que corre igual em todas as veias.

A marca foi criada em 2000 por Nina Gaul e Nobu Ogata e exporta suas peças para o Japão. Saiba +:

O blog oladonegrodamoda espera que a partir das reinterpretações do significado do negro na sociedade/moda  propostos por OESTUDIO sirvam de inspiração para que cada vez mais fashionistas se vistam de COM CIÊNCIA/ CONSCIÊNCIA NEGRA por fora e por dentro e eliminem, de vez, as barreiras do preconceito e da hipocrisia, tal como intencionou Césaire.