quinta-feira, 1 de março de 2012

Humor negro?

Enquanto os "holofotes" se viram para o caso do Azeite Gallo,sob acusação de racismo,(vide link do jornal O Globo de hoje, aniversário da cidade maravilhosa!)


http://oglobo.globo.com/economia/propaganda-do-azeite-gallo-esta-na-mira-do-conar-4106382


No mesmo dia e na mesma página do mesmo jornal,o blogueiro Fernando Moreira também dá a sua deixa com uma matéria com um título um tanto curioso. 
Ao clicar acabei desembocando no que considero um verdadeiro desrespeito à diversidade da beleza. 
Da beleza que não tem cabelos dourados, nem olhos azuis. E não venham me dizer que é "humor negro!".  

Aqui vai o link: http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/03/01/homens-pensam-em-sexo-quando-veem-mulher-de-vermelho-sera-mesmo-434134.asp


E, abaixo vai o post:



Homens pensam em sexo quando veem mulher de vermelho. Será mesmo?

Pesquisa da Universidade de Rochester, em Nova York (EUA), mostrou queos homens pensam em sexo quando veem uma mulher de vermelho.

Mas a Page Not Found Bizarre University apresenta um novo e simples estudo que derruba essa teoria sexual. Veja as mulheres abaixo e diga qual delas mais o atrai sexualmente:

domingo, 18 de dezembro de 2011

Videos da Etnoafro- III Semana da Consciencia Negra da PUC-RIO

Gente, ja estao disponiveis os videos da Etnoafro- III Semana da Consciencia Negra da PUC-RIO

Legenda: Portugues





Legenda: Ingles

                           
                                                                    Legenda: Frances


                                                                    

sábado, 19 de novembro de 2011

Etnoafro-O negro na Moda e na Mídia








É com enorme prazer que convidamos todos vocês para participar da Etnoafro-Semana da Consciência Negra da PUC-RIO. Durante o evento que acontecerá do dia 21/11 ao 25/11 no Campus da PUC-Rio, haverá a exposição GLAMAZÔNIA  elaborada pelo fotógrafo cameronês Mario Epanya.

Não percam no dia 21 de novembro na abertura do evento, um ciclo de palestras cuja temática é o negro na mídia e na moda.

Participarão das conferências nomes como Oskar Metsavaht, diretor criativo da Osklen e Frei David, da Educafro, o fotógrafo Mario Epanya, dentre outros. Confira a programação!



Etnoafro-O negro na  moda e na mídia. 


10h30 – 11h
COSTURANDO O EVENTO
Ricardo Oiticica (Cátedra UNESCO) e Luana Génot, orgs.

11h – 13h
DE CARA COM O FOTÓGRAFO
Autorretrato de um camaronês em Paris: Mario Epanya e o preconceito na moda

13h – 15h
PANORAMA: a imagem do negro na moda e na mídia
Denise Pini da Fonseca (coord.)
Oskar Metsavaht, Osklen
Frei David, Educafro
Mario Epanya,fotógrafo
Luana Génot, modelo 40 graus

15h – 17h
TRÊS POR QUATRO: olhares sobre a moda
Sonia Giacomini: por uma sociologia da moda
Adair Rocha: por um tecido social
Lorena Passos: pelos direitos do modelo
Clarissa Monteagudo, Jornal Extra

17h COQUETEL

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Leilas Lopes/ I have a dream



Não sou muito ligada aos concursos de Miss, mas não precisava estar muito antenado para saber que a vitoria da angolana Leila Lopes ia dar o que falar. Na verdade, ja tinha dado muito antes da decisão do juri, quando foram feitas apostas dos repugnantes membros do Stormfront, um site internacional que se define nacionalista branco.

Em matéria feita pelo G1,
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/09/candidatas-negras-ao-miss-universo-sofrem-racismo-em-site-nacionalista.html

Eles afirmam que a vencedora do Miss Universo seria uma negra pelo fato de o concurso ser realizado no Brasil,e que os jurados fariam média num pais miscigenado.

Um dos membros chegou inclusive a dizer que Leila iria ganhar, pois "estava mais para mulata".

"é certeza que uma negra ganha essa, provavelmente a Angola (tá mais para uma mulata). Por quê? Primeiro:
Liberais. Segundo: jurados querendo fazer média com Africanos, e seus descendentes como Brasilóides"

Não da para ser hipocrita ao somente criticar os stormfront, sites de redes sociais como o do twitter também estavam cheios de comentarios criticando, ou exaltando a beleza negra.

Haviam coments do tipo: "ela nem é tão bonita, parece uma menina da comunidade", ou: "ai, que bom que finalmente deixaram uma negra ganhar neste concurso".

Para quem não sabe, Leila foi a quarta a ganhar o concurso. Vejam um historico postado no blog. E que devera sair no jornal Extra do proximo domingo.

http://www.theangelica.com/2011/09/miss-universo-e-negrae-dai.html

I have a dream...

Que um dia a imagem do negro não seja enaltecida por pena, ou por regra, nem tampouco depreciada graças ao vigor de um "default estético branco" perpetuado e absolvido pela cultura brasileira. Que por sua vez, faz ecoar nos discursos de Rodrigos Lombardis e Anas Marias Bragas da vida, a imagem de que todo negro tem que saber sambar, e que quando tem um desempenho brilhante é visto como loiro de olhos verdes. Ou ainda em outros discursos cotidianos mergulhados na ignorância: "ahh enfim, o primeiro negro a vencer na formula um", "o primeiro presidente negro", "a primeira miss universo negra". Como se nossas conquistas fossem reduzidas a poucas excessões. Que, por sua vez, correm o risco de serem esquecidas pelos livros infantis que alimentam as crianças, ocultando toda uma historia profundamente complexa de um continente e sua diaspora e reduzem-na a escravidão, sofrimento e submissão e feiura.

Que venham muitas outras como Leila, Mpules Kwelagobe,Wendy Fitzwilliam, Janelle Commisiong,...

E que digam a verdade, Machado de Assis não era grego, era negro!

PS: Gente, loucura total. Estive monitorando o blog este tempo todo que pareço ausente. Não parei de escrever não, estou trabalhando em projetos desafiadores que vão explorar ainda mais a tematica abordada aqui nOLADONEGRODAMODA. Aguardem!

sábado, 29 de janeiro de 2011

O que mudou apos cotas raciais no Fashion Rio?



Hoje é o 3° dia de SPFW .E esta é na quarta edição do evento apos o estabelecimento das cotas raciais. So para lembrar, esta foi uma medida sugestiva do Ministerio publico de Maio de 2009 para que as grifes das principais semanas de moda brasileras contassem com pelo menos 10 por cento de seu castings com modelos negros.

Num levantamento recente com base nas fotos do site chic,o fashion Rio outono inverno 2011 ,que ja acabou ha duas semanas, apresentou em suas passarelas cerca de 895 novos looks em 42 desfiles incluindo o prêmio Rio moda hype e o fashion business.

Destes,cerca 92 foram vestidos por modelos negros.O que significaria pouco mais de 10 por cento de representatividade. O que não evitou que algumas grifes não exibissem nenhum de seus looks vestidos por modelos negros.

Vale ressaltar que o que teria colaborado para o alcance desta marca quantitativa foi a realização do desfile da marca OESTUDIO que teve seu casting quase interamente composto por modelos negros.

Ou seja, numericamente, sem a apresentação da OESTUDIO,a quantidade de looks seria reduzido para 869 e, consequentemente, dos que foram vestidos por negros para 68.
O que acarretaria um percentual bem menor que 10 por cento de representatividade dos negros nas passarelas.

O curioso em tudo isso é que ainda no site chic é possivel visualizar informações sobre todas as marcas integrantes das semanas de moda e é interessante notar que boa  parte das que estiveram neste Fashion Rio exporta suas roupas para paises africanos com destaque para Angola, Africa do Sul e Moçambique.

Dai, surge a seguinte pergunta: como explicar o "não uso" de modelos negros mesmo quando ha um potencial mercado consumidor neste perfil?

Outra grande surpresa da ultima edição do fashion Rio, neste quesito, foi devido ao sumiço das tops negras Samira e Carmelita, que nas edições anteriores eram figuras ctrl+c,ctrl+V de quase todos os desfiles.
Esta edição pareceu dar mais espaço para a variedade de modelos negros presentes no mercado da moda .
Se bem que, na maioria dos desfiles, podia-se notar a presença constante de modelos tops como  Ana Bela e da morena Lais Ribeiro. Ja era possivel ver rostos mais diversificados ,O que, na minha opinião, ja é um passo para a mudança e quebra do "monopolio dos pacotes de modelos" que foi  geralmente exercido de maneira abusiva nas semanas de moda anteriores.
Também é verdade que este percentuam aproximado de 10% de modelos negros na passarela ainda pode ser considerado pouco numa população miscigenada, a qual mais de 50% considerada negra

Apesar disso,Helder Dias, dono da agência de modelos especializada em negros em São Paulo,em entrevista, afirmou que para ele nada mudou apos o estabelecimento das cotas raciais.
E que, na verdade, a moda e a publicidade continuam bookando poucas negras e quando o fazem dão preferencia sobretudo àquelas que têm traços de pele e cabelos menos étnicos.Vide a Vogue de Janeiro, que ainda, segundo Helder não soube aproveitar bem a diversidade étnica do pais.

O lado negro da moda quer o que você tem observado de diferente apos o estabelecimento das cotas?
Dê sua opinião ;)

E que a força esteja com você!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dicas de maquiagem para cabelos e pele negra. O que vc acha?

Atendendo a pedidos, aqui vai o post com o link da matéria feita pela GNT sobre dicas de maquiagem para cabelos e pele negra.


http://gnt.globo.com/gntfashion/Noticias/Confira-dicas-de-maquiagem-para-pele-negra-e-cuidados-com-os-cabelos-no--GNT-Fashion-.shtml

Espero realmente que este tipo de matéria não seja apenas uma tendência passageira , mas que se propague pelas demais coleções e épocas. Precisamos de dicas e conselhos sempre!

Assista e dê sua opinião.
Aproveite para ver se reconhece a blogueira que vos fala ;)

Que a força esteja com você!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As novas carinhas do Brasil



Depois do calendario da Pirelli, apos alguns meses de votação popular pelo site oficial da marca, este é o novo calendario Johnson's baby.

Adorei a diversidade étnica apresentada!

Este calendario não é a cara do Brasil ? 12 meses representados por 12 bebezinhos. Nenhum é negro!

Agora é a vez da Teuto selecionar o bebezinho modelo. Vocês podem acompanhar a campanha pelo site e ver no que vai dar:
http://hipodermeomega.cvdigital.com.br/?pg=home

Se a votação for mesmo popular, so depende de nos ,como consumidores, exigirmos e votarmos por calendarios,e bebezinhos de concursos que representem realmente a diversidade racial do Brasil.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vogue Brasil chega ao séc XXI?

 A revista Vogue Brasil, sob nova direção, finalmente presenteou seus leitores com uma Black Issue,três anos apos a inicativa da Vogue Italia. 
Sera que a Vogue Brasil saiu do séc XIX e  finalmente chegou ao século XXI?
A edição de janeiro da revista tem somente modelos negras em seus 4 editoriais de moda. São elas Iman Chanel,Gracie Carvalho, Emanuela de Paula e Jourdan Dunn. 
A atitude é de certa forma positiva, mas não sei se tão revolucionaria assim, afinal  podemos e devemos nos questionar  acerca de, pelo menos, dois aspectos desta revista.
1° A chamada "Brasil em alta" (no canto direito da capa),por exemplo,parece não se aplicar muito bem quando relacionada às modelos fotografadas.
Uma vez que das 4 meninas somente 2 sao brasileiras.Deste jeito parece que estamos bem longe de nos livrarmos da "sindrome de colonizados", e que "o terreno do vizinho" continua, na verdade," mais verde e fashion que o nosso..."
No entanto, bem sabemos que não é bem assim, afinal, modelos negras, lindas e de talento o Brasil tem de sobra...
Usa-se o argumento de que muitas das modelos negras não têm talento. O pior déficit notado e comprovado estatisticamente o de oportunidades mesmo!
Acredito que a Vogue deva investir cada vez mais para ter a cara do Brasil. Uma identidade propria pode fazer a Vogue ainda amadurecer e muito...
O que significa que, não se deve copiar as outras, so porque a Vogue Paris ou a Alemã, por exemplo, também quase não usam negros.

Precisamos agora não somente de uma "black issue". Mas sim de edições que premiem os leitores com aparições pontuais multietnicas ,ou seja, com paginas mais diversificadas entre brancas, negras com cara de brancas, negras com cara de negras,morenas,amarelas,...

Leia mais sobre modelos negras "com cara de brancas".

Vale lembrar que valorizar a "matéria-prima" nacional, neste caso, também pode ajudar muito na economia fashion do pais. Assim,poderemos ter uma "balança comercial" mais favoravel, isto é exportando mais e importando menos modelos,padrões, tendências...
Além disso, a pardtir de então, quem sabe futuramente poderemos ter mais brasileiras negras sendo classificadas como modelos relevantes...

Veja quais são as modelos negras que a revista Vogue consideradas como as mais importantes. Uma ajudinha cultural para quem so conhecia a Naomi:

Nesta black issue  da Vogue, por exemplo, nota-se somente a marca lança perfume usou a morena Lais Ribeiro para sua campanha.

E notavel que as marcas em suas campanhas ainda quase não utilizam negras. 

Vamos torcer para que a iniciativa da Vogue contagie também as marcas que ao fazer suas campanhas pensem em diversificar não somente na criatividade da roupas, peças ou
dos cenarios usados, mas também nos seus personagens.

Ja é mais do que sabido que o publico ja esta cansado de ser massacrado visualmente com somente modelos brancas estampadas nas fachadas dos shoppings e outdoors...

Alôô,marcas abram ja os seus olhos para não perderem seu publico!!

Onda negra?
A L'officiel Paris "Noir is beautiful" (Negro é lindo) de Novembro de 2010 também publicou uma matéria sobre Obama e a cultura negra.

So que nesta edição a capa não estampa uma modelo negra e tampouco as paginas.

Esperamos que o fato de modelos negras e da cultura negra ganharem mais visibilidade nas revistas e passarelas não seja somente uma tendência e sim um passo para um futuro o qual a diversidade étnica do pais e do mundo sera mais respeitada e tratada de forma cada vez mais natural. 

Que a força esteja conosco!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

OESTUDIO e a COM CIÊNCIA NEGRA

OESTUDIO está com a bola da vez. A grife vai colocar somente modelos negros em seu desfile da temporada de inverno 2011 no Fashion RIO. Vale lembrar que este é um fato histórico, pois durante as coleções de inverno as marcas costumam usar poucos ou nenhum negro. Os motivos dados são diversos e pra lá de questionáveis. Leia mais no post:

A coleção COM CIÊNCIA NEGRA, em seu release, parece inspirar-se num poema de Aimé Césaire que interpreta os significados da palavra negro na sociedade. Césaire desmascarou liricamente a hipocrisia e expôs o real valor atribuido ao negro na sociedade: " a palavra "negro", saindo toda armada do berro de
uma flor venenosa, (...) a palavra “negro” como o último riso velado da inocência...."



A coleção COM CIÊNCIA NEGRA,  construída a partir de uma oficina realizada pelo OESTUDIO com os alunos da OI Kabum!,  promove através da via fashion uma nova reflexão sobre o significado do negro nos dias atuais: " A cor. O preto. O negro. O pigmento. A pele. A História. A Mistura. O de fora. O de dentro."
O resultado são 50 peças onde predominam o preto e suas variações e, para completar, tons de vermelho representando o sangue que corre igual em todas as veias.

A marca foi criada em 2000 por Nina Gaul e Nobu Ogata e exporta suas peças para o Japão. Saiba +:

O blog oladonegrodamoda espera que a partir das reinterpretações do significado do negro na sociedade/moda  propostos por OESTUDIO sirvam de inspiração para que cada vez mais fashionistas se vistam de COM CIÊNCIA/ CONSCIÊNCIA NEGRA por fora e por dentro e eliminem, de vez, as barreiras do preconceito e da hipocrisia, tal como intencionou Césaire.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Quem quer ser modelo? Ainda não é um filme, mas tem tudo para ser...



          Faltam apenas 3 dias para o inicio do FASHION RIO temporada de INVERNO 2011 e, atendendo a pedidos fiz um post especial e o primeiro do ano, com dicas para quem quer ser modelo. Espero que gostem! FELIZ 2011!

Estas são algumas das minhas dicas, e que,na verdade, considero bem preciosas ,afinal no mundo da moda há um forte lobby dos que fazem mistério sobre coisas muito simples... Acrescentei também alguns links interessantes...
Eu, por exemplo, adoraria ter recebido estes conselhos, enquanto as pessoas diziam que eu deveria ser modelo, mas ninguém me indicava o que fazer. Logo, se eu fosse você, lia tudinho com carinho...

Para as meninas:

Você mede mais do que 1,70m?
Tem no máximo as seguintes medidas?
89cm quadril
60cm de cintura

Alguns termos que você precisa saber:


Primeiro:

  1. Encare tudo isso como um hobby e não uma profissão. Primeiramente, digo isso, pois tenha em mente que quem quer ser modelo não quer ser um milionario. [um pqno trocadilho para ser engraçadinho com o filme "Quem quer ser um milionario"  ;) ]. Este é um mercado muito saturado. São muitas meninas tentando obter visibilidade.                                                                                               Pensar desta forma ajudara também a evitar ilusões sobre construir o futuro sobre e algo extremamente passageiro e instável – salvo nas situações em que são assinados contratos de trabalho, em geral não há salário fixo ou jornadas de trabalho definidas com precisão. Trabalhos vêm e vão numa questão de segundos.                                                                                                                                                                                                                                                                          Além disso, como é visto constantemente nas campanhas, comerciais, passarelas e paginas de revistas, um modelo é facilmente substituido por um ator,atriz ou celebridade da vez como um BBB querido ou alguém que se torna namorado(a) de um famoso. Ou seja, o mundo da moda é pouco profissional neste quesito. O que vale é o marketing da marca, ou o lucro da agência em colocar em maior evidência os modelos nos quais eles mais apostam. Então, meninas, não se entristeçam ao ver, por exemplo,a mesma modelo sempre na passarela- faz parte do lucro da agência. Em muitos casos, você ocê pode até ter sido bookada,mas se for do interesse da agência promover outro modelo eles. Já vivenciei casos onde do agente dizer ao cliente que a modelo quebrou a perna e ela nem vai ficar sabendo o porque caiu ou não fez determinado trabalho.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Outra coisa, não ache tão estranho que aquela famosa, nem tão bonita assim, com o quadril muito maior que o seu acabe ocupando o lugar de modelos na passarela. Modelos, estas que estão lutando para manter seus 89, 88 e dai para baixo- como solicitado pelas agências, embora digam que não!.                                                                                                                                             Você nunca se perguntou pra que tanto sacrificio se manter magra, se em muitos casos, basta ser famoso para invadir o mundo da moda?
  1. Não faça material com qualquer profissional antes de ir às agências. Tire polaroides sem pousar muito e sem maquiagem. Para saber como, procure por seçoes de polaroides em sites das agencias como o link abaixo:



  1. Para busca de agências, veja no site abaixo ou procure outro do tipo que tenha agências separadas por estado.



  1. Para saber quais são as melhores agências, pesquise nos créditos de revistas de moda como Vogue Elle, L’officiel. Geralmente, estas agências são as mais aplicadas, do momento, a enviar seus modelos para obtenção de material fotográfico. Atenção! O material obtido em revistas, editoriais e campanhas são as maiores preciosidades que uma agência pode te ajudar a ter.

  1. No momento, as melhores agências se situam em São Paulo. Assim que puder passe alguns dias lá a procura. Senão, tente na sua própria cidade ou nas mais próximas as que tenham link com as agências paulistas, mas sempre intencione ir para São Paulo, vale a pena. Não se acomode nem tenha medo. Vá.

  1. É de suma importância ir pessoalmente às agencias escolhidas. Em geral eles recebem muitos e-mails, então existem grandes chances de não abrirem o seu, ou negarem sem sequer avaliar o seu pedido de inscrição .


  1. No dia da entrevista, procure não usar maquiagem. Siga o exemplo dos looks usado para fazer sua polaroide. Tanto para a naturalidade das peles quanto para as roupas, caso você não souber o que usar.


Para as meninas geralmente, um rimel já é suficiente. Se tiver olheiras, uma base não excessiva na região pode ajudar. Em caso de espinhas procure trata las antes de ir na agencia.


  1. Aguarde pacientemente sua vez na fila. Por que não aproveitar para ler um livro ou folhear uma revista de moda ?. Se você gosta de moda aproveite para entender mais sobre as tendências e os estilistas

  1. Não se assuste se após tanto esperar, os bookers passarem algumas meninas na sua frente por questão de preferência, ou que eles façam uma fila, mais conhecida como “paredão” e depois dispensem todas . Na moda, por crerem ter o poder de julgar a beleza das pessoas, muitos se enchem de um ar de superioridade e ignoram o fato de estarem lidando com os sonhos de muitos jovens que deram tudo de si para participarem da entrevista.
O minimo que se espera de uma agência é que ela se organize bem para atender os interessados e que, na melhor das hipoteses, aceite o modelo, ou então diga não e o porque , seja lhe dando conselhos para melhorar ou para não insistir no mercado, se caso não possuir realmente o perfil.
Lidar com tudo isso é o primeiro e grande desafio e eu diria ainda, o mais constante. O importante é, se realmente você sentir que se encaixa no perfil, não desista no primeiro não. Se você é negra(o) tenha o dobro de persistência. Afinal o racismo agrava ainda mais o segragacionismo na moda,mas não desista!

  1. Fui aceito mas não sei qual agencia escolher? No caso de indecisão entre agencias, fique com aquela onde tenham te dado mais atenção. Grande ou pequena, não importa. Mesmo que seja uma de menor porte, saiba que num momento inicial ,você precisa contar com a empatia e com a vontade deles de te porem para trabalhar. Além disso, nas agencia maiores, quando os bookers não te dão atenção, você pode ficar esquecido. Não adianta vestir a camisa de uma grande agencia se eles não acreditarem em você. Com o tempo e o acumulo de material, você pode tentar procurar as maiores. São estas, que graças ao nome de peso, em geral o numero maior de clientes, podem oferecer mais oportunidades de trabalhos e maior visibilidade no mercado.

  1. A partir do momento que estiver inscrita numa agencia, você vai precisar do seu book - um livro de fotos feitas por um profissional. Geralmente, se a agência realmente apostar no seu sucesso eles irão adiantar o book para você e depois descontar nos seus próximos cachês o seu valor. Normalmente somente após obter fotos profissionais que você será apresentada aos castings. A partir daí você poderá preencher o book com fotos de trabalho.


  1. Com que roupa eu vou? Para os castings de passarela, em geral, continue usando o look “polaroide”. Seja consciente de que o modo de avaliaçao nos castings é injusto, racista e nada original visto grande maioria ainda são do tipo ctrl+ c, ctrl+v da maioria das tendências européias, onde negros, por exemplo, são pouco usados.

  1. No Brasil, a questão trabalhista dos modelos ainda precisa ser revista.O sindicato ainda é insuficiente. O tempo de espera nos trabalhos, em muitos casos, ainda é muito grande. Às vezes pela falta de organização de um cliente, a modelo pode ficar presa o dia inteiro num trabalho, para fazer uma foto de cinco minutos sem receber mais por isso. Em alguns países da Asia, já é mais freqüente que a modelo assine um contrato ao chegar, uma espécie de check- in e ao sair também. O que contaria o seu numero de horas e a remuneraria pelas horas extras.


  1. Fique de olho nos descontos e prazos de pagamentos a serem cumpridos pelas agências. Em geral a taxa cobrada é de 33,3% os quais 20% dos cachês são da agência e 13,3% de nota fiscal. A partir que você for crescendo dentro de uma agência estes números podem ser negociados para baixo!.
Apartamento, caso você more num apartamento que pertence a agencia, bookers, passagens, composites (cartões fotográficos) na maioria dos casos tudo é descontado dos cachês mas fique de olho npara ver se correspondem realmente as suas despesas.
O prazo para pagamento são normalmente de 30 dias. Acontece muito frequentemente dos cachês atrasarem por causa da inadimplência de alguns clientes. Neste caso, pressione a agencia para que ela o cobre e fique de olho para saber se ela está adiantando os cachês, dos outros modelos que fizeram o mesmo trabalho que o seu, caso sim peça também para adiantar o seu.
Ah, fique de olho também na percentagem cobrada por scouters. Para quem possui scouters ainda tem uma redução de 5% a mais no cachê.
Não é para ser chata ou mal educada. Apenas se imponha e os faça saber que você merece respeito com relação aos prazos e que também tem despesas a serem pagas ou dindin para enviar para sua família...


  1. No inicio, alguns trabalhos, principalmente para as revistas não são remunerados. Para que assim você, new face, obtenha material fotográfico. No entanto, quando notar que já preencheu o book ,comece a sinalizar a agencia seu desejo de parar de fazer trabalhos gratuitos e ser enviada para trabalhos de gente grande, dos tipos que pagam REALmente ;)

  1. Procure saber da sua agência–mãe quais são as suas chances para ser enviada para uma agência internacional.
Pode ser uma super experiência de vida e profissional. Vá estudando inglês para poder ser independente. Mesmo com uma pequena base do idioma a convivência, no próprio país, caso seja de língua inglesa, poderá torna –lo(la) mais fluente, senão, em qualquer lugar do mundo, saber a língua será útil, pelo menos, para ajudar a não passar fome.E por falar nisso, nem pensar em passar fome, hein?!

  1. O mais importante é saber que no início a agência tem papel fundamental. No entanto, o que vale mesmo é , de certa forma, ser independente. Com o tempo e as experiências o contato com os clientes nacionais ou internacionais poderá ser feito diretamente. Isto vai reduzir todos os encargos finaceiros impostos pela agencia mas também poderá reduzir a amplitude de clientes que so geralmente uma agencia tem. Dica: você saberá o que fazer. Se a agencia cuidar bem de você deixe com que ela continue fazendo seu trabalho, senão faça você mesmo quando começar a ter contatos suficientes para tal



Bem vinda ao mundo da moda e boa sorte!


E pessoalmente, aconselho ainda outras coisinhas:

*É de extrema importância não se deixar levar pelo que dizem em relação à magreza. Preze pela sua saúde afinal sem ela nada se faz.

*Não fume ou beba porque todas fumam ou bebem.

*Não ponha o dedo na garganta, ou deixe de se alimentar porque as outras fazem.

*Não saia com alguém porque dizem que isso pode te ajudar a ascender rapidamente.

*Ah, e sobretudo, não abandone a escola por achar que o mundo da moda é mais cômodo. Somente a educação conduz a liberdade de pensamentos. Não é a toa que as modelos são mudas- julgadas apenas pela beleza física e devem obedecer ordens sem questiona- las. Você não vai querer ser uma eterna bestializada, vai?

Seja consciente dos seus atos.

E leia também:



Que a força esteja com você!



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Clarear ou escurecer a pele? Vai de acordo com a conveniência da mídia.

Abaixo, fiz um ctrl+c, ctrl+v de uma matéria publicada na edição virtual da revista época nesta semana (27/12/2010)

Na Índia, a edição de dezembro da revista Elle traz na capa a atriz Aishwarya Rai Bachchan. Apesar de ser uma estrela de Bollywood, muitos indianos podem não ter reconhecido a ex-Miss Mundo na foto. Isso porque, na foto publicada por Elle, a pele da atriz está tão pálida quanto a de alguém com origem europeia. Os fãs de Aishwarya notaram o uso excessivo de Photoshop e acusam a Elle de racismo. Por acaso a atriz tem de ser “clareada” para estar na capa da revista?
Os editores negam a alteração intencional. Compare e tire suas conclusões.


Os jornais indianos afirmam que a primeira reação de Aishwarya foi não acreditar que a revista pudesse ter alterado a cor de sua pele. Mas, se ficar comprovado que houve intenção de fazê-lo, ela não descarta processar a publicação.
Se decidir ir à Justiça contra Elle, a atriz indiana vai poder citar pelo menos um outro possível caso de racismo, desta vez na edição americana da revista. Na edição de setembro, a publicação foi acusada de clarear a pele da atriz Gabourey Sidibe, indicada ao Oscar de melhor atriz pelo ótimo Precious. Os editores dizem que trataram as fotos de Gabourey como as de qualquer outra modelo, mas o site Jezebel não perdoou e incluiu a capa entre as piores falhas de Photoshop de 2010.



São raras as mulheres “não-brancas” na capa da maioria das revistas femininas. O que esses dois casos sugerem é que, quando elas aparecem na capa, “precisam” se encaixar nesse modelo “tradicional”, isto é, racista.

leia mais no link:
http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2010/12/27/revista-e-acusada-de-clarear-pele-de-atriz-indiana-na-capa/

No Brasil, o oposto da situação supracitada também é verificado. E muito raro ver capas de revistas e campanhas das grandes grifes que utilizem modelos negras. No entanto, é comum para oferecer uma suposta diversidade ao publico escurecer algumas atrizes/ modelos morenas ou mulatas para que se pareçam negras.
Assim "calaria-se" a boca de quem acha que so loiras são mostradas. Afinal ja ouvi da boca de muitos estilistas e fotografos que o empecilho para não colocar negras em evidencia como padrão de beleza ora são os cabelos rebeldes, ora os traçoes étnicos que destoarim dos "finos" traços europeus como o nariz "afilado".

Podemos questionar, por exemplo, o evidente escurecimento da pele da atriz Juliana Paes na campanha da Vivara de 2009. Nestas fotos vemos uma Juliana Paes muito mais escura que o normal. Visto a estranheza do publico com uma Juliana Paes tão negra, poderia ter sido usada, por exemplo, sem graves alterações de resultado uma outra modelo/ atriz negra ou mulata sem o uso de tanto photoshop.






Outros questionamentos podem surgir quando analisamos o perfil de algumas das tops negras brasileiras mais frequentes nas capas de revista de moda: Emanuela de Paula e Gracie Carvalho.
Estas negras possuem belezas evidentes, mas certamente os cabelos não tão crespos e os traços de rosto não tão étnicos assim....




Afinal, pouco se fala, mas nos castings é muito comum dar preferência a negras "com cara de branca", ou até mesmo, enegrecer brancas ou morenas para que sejam aproveitados seus traços "finos" e so a cor "brozeada" seja evidenciada, porém sem a utilização de negras de verdade.

E, depois de tantas questões, voltamos a mesma de sempre...
Pq tanta dificuldade do pais em lidar com a propria origem étnica diversificada?

So depende de nos mudar esta realidade...

Q a força esteja conosco! ;)

COMUNICADO IMPORTANTE: eu estava sem internet, mas finalmente tudo foi reestabelecido! Agora, tenho muitos emails para responder e muito trabalho a fazer. O primeiro deles foi  obviamente preparar este post - posssivelmente o ultimo do ano de 2010.

Aproveito aqui para agradecer a todos os meus colaboradores pelas sugestões, elogios,criticas e o apoio dado para a construção dOLADONEGRODAMODA! Este post foi uma sugestão da companheira Mariana.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Poucos negros nas passarelas. De quem é a culpa, afinal?

Estamos a menos de um mês da próxima semana de moda do Rio de Janeiro, o Fashion Rio acontecerá dos dias 11 a 15 de janeiro de 2011.. Os castings já começaram.
Já podemos começar a palpitar acerca da possível quantidade de negros que serão vistos na próxima temporada. Será que ainda assistiremos desfiles hegemonicamente brancos?
Ou haverá surpresas como o desfile de Walter Rodrigues, que em sua coleção de verão 2011 colocou 25 modelos negras na passarela?


Culpa é da estação?


O fashion Rio exibirá as tendências do inverno de 2011. As desculpas “esfarrapadas” dadas por muitos estilistas e agências que sempre ouvi nos backstages dos desfiles e nas entrevistas são as de que no inverno, negras não são usadas por uma questão de ambientação.


Isto quer dizer que, neste caso, haveria uma europeização das tendências lançadas e as peles brancas serviriam como um marcador para evocar o clima de inverno.
É como se o negro, pela sua cor de pele “sempre bronzeada” não servisse para simbolizar o “frio”.


Se aqueles que sustentam esta teoria seguissem esta lógica, no verão teríamos somente negras, mulatas e morenas como no desfile de Walter Rodrigues. No entanto, não é o que se vê.


Podemos pegar como exemplo uma grife que desfila exclusivamente no verão como a Salinas,(desfilou no 1º dia) por exemplo. Em seu último desfile ao apresentar as tendências do verão 2011, a grife por exemplo, usou modelos 21 modelos e só 4 negras Gracie Carvalho, Laís Ribeiro, Carmelita Mendes e Samira Carvalho.


Segundo o site chic,a marca de Jacqueline de Biase se inspirou nas semelhanças de Cuba com a Bahia. Terras cujos habitantes têm em comum a mesma origem africana. Daí o colorido, as flores e a sensualidade dos maiôs e biquínis.
http://chic.ig.com.br/moda/noticia/salinas-verao-2011



Se pensarmos bem,se o verão da marca fosse tão “africano” como é defendido. Certamente, pelo menos o desfile, a campanha ou os catálogos apresentados pela Salinas usariam morenas ou negras,e não somente loiras. Não acham?
No entanto, a realidade é bem diferente...
Confira:
http://www.salinascompras.com.br/



Seria culpa do poder aquisitivo?


Outra desculpa muito utilizada uma tendência social. Lança-se a culpa da falta de negros nas passarelas e revistas à falta de poder aquisitivo da população negra. Assim, a moda não seria obrigada a refletir a população do país, mas sim somente personagens que se pareçam com o público com o poder de compra suficiente para consumir produtos de luxo, ou seja, os brancos.


Culpa do corpo?
Para a historiadora Mary Del Priori, a discussão maquia outras questões mais profundas. "A ausência de negros na moda é mais uma exigência de classe do que uma questão de beleza", afirmou. Ela lembra que o debate é recente, vem do final dos anos 1980, quando ações afirmativas foram feitas em várias áreas e foram responsáveis pela valorização da autoestima dos negros. Mas ressalta que encontra diferente cenário no Brasil. "Esse debate está truncado numa outra realidade histórica. Não temos um grupo de negros como os Estados Unidos. Enquanto receberam 500 mil escravos africanos, recebemos 7 milhões. Além disso foram se mestiçando. Do ponto de vista histórico, é um paradoxo, um discurso que valoriza minoria sendo que no Brasil os negros são maioria", disse.


E o mundo da moda reflete esse padrão. "Não é ideológico, é a importação de um modelo que não nos pertence e que foi apresentado pelas elites, que é quem consome moda. A questão é a valorização de um único tipo de corpo." A historiadora lembra que a valorização da mulher curvilínea faz parte da cultura brasileira e foi homenageada na música, pintura, poesia e literatura.

"O corpo passou a ser uma questão de classe social”."E a negra pelo biótipo do corpo, mais curvilínea, acaba se incompatibilizando com esse universo, a não ser que seja esquálida. Pois a Barbie não tem bunda."


Estilistas , agências, bookers ou seja quem for que esteja lucrando em manter esta disparidade racial nas passarelas nunca vão assumir a própria culpa vão e sempre formular discursos e sempre se aproveitar / ampliar um dado social ou característica para manter o segregacionismo na moda e associar isto à superioridade desta manifestação artística.
Oladonegrodamoda acredita ,na moda não segregacionista,que a beleza da moda, uma manifestação artística extremamente criativa, emerge exatamente quando inclui e mistura todas as cores seja nos tecidos ou nas raças que desfilam.


Cabe a nós, defensores desta tese inclusiva nos manifestarmos. Enviando emails para revistas; fazendo reportagens nos eventos de moda e organizando discussões para dar a moda este novo significado.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A positivização da imagem do negro na sociedade e as ações afirmativas

Na semana passada, participei de um debate sobre ações afirmativas. Lá,eu e alguns colegas de diferentes perfis raciais e sociais, analisamos e nos identificamos muito com o posicionamento sobre o assunto de Marcelo Henrique Romano Tragtenberg,doutor e professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Analise você também e opine.
Um olhar de branco sobre ações afirmativas
 

Tudo começou com um período que passei na Inglaterra, de março de 1999 a fevereiro de 2001. Lá o negro é majoritariamente o paquistanês e o indiano.
 A componente africana da população é bem menor (infelizmente não tenho dados estatísticos para corroborar essa impressão, mas deve ser fácil obtê-los). Havia na BBC (tv estatal inglesa) uma preocupação evidente em ter dois âncoras nos jornais, sempre um deles era negro e mulher (a combinação era homem branco/mulher negra, homem negro/mulher branca).
Nos programas de debates, também se expressava a diversidade étnica, colocando entrevistadores negros, mesmo quando o programa tinha só um entrevistador. Numa das novelas, havia um diretor de escola negro que vivia um romance com uma professora loira. O que é notável é o fato do negro estar em posição proeminente dentro hierarquia escolar.
 Isto reflete o fato da Inglaterra conviver bem com a diversidade étnica? Não. Havia cerca de um assassinato por preconceito por mês, noticiado na mídia inglesa. Soube de um assassinato por racismo a 200 m de minha casa. O que há é uma consciência social da importância de valorizar a diversidade cultural e de enfrentar o racismo de frente. Não é como no Brasil, como lembra o saudoso Florestan Fernandes, onde “o brasileiro tem preconceito de ter preconceito” (in “Ação Afirmativa e Democracia Racial”, de Sandro César Sell, Fundação Boiteux, 2002). Lá, a questão étnica é assumida. Lá, há bonecas negras. É fácil achar uma no Brasil, que tem 45% de negros (5% de pretos e 40% de pardos segundo o PNAD/IBGE de 1999)?
De volta ao Brasil, um país aparentemente sem racismo, me deparei com comerciais alegres do Guaraná Antarctica. Só havia brancos, servindo e bebendo. No comercial seguinte, do mesmo produto, aparecem negros, mas só servindo e brancos só consumindo.Os negros raramente são postos como protagonistas, no máximo como coadjuvantes. No comercial da cerveja Schincariol, a música é “moro num país tropical” de Jorge Benjor, um negro, mas a maioria esmagadora das pessoas é branca. Será que isto reflete o lugar reservado ao negro no Brasil? Nos telejornais da noite, cadê os negros como âncoras? As mulheres já começam a aparecer, mas a barreira contra negros parece intransponível. No entanto, de um ano para cá, verifica-se um aumento do número de repórteres negros nos telejornais.
Certamente, antes de ir para a Inglaterra, não me sentiria incomodado com o que relatei no parágrafo acima. Meu olhar era de branco, educado numa sociedade com racismo cordial, com minha percepção contaminada por essa forma sutil de racismo. Pouco depois de voltar ao Brasil (fevereiro/2001), deu-se a Conferência da ONU contra o racismo em Durban (setembro/2001), África do Sul, à qual a delegação brasileira levou propostas avançadas para lidar com os efeitos do racismo no Brasil, entre elas a de criação de cotas para negros entrarem nas Universidades públicas.
O movimento dos negros pelo fim da segregação racial nos EUA, nas décadas de 1950 e 1960, popularizarou um conceito jurídico original: o da ação afirmativa ou discriminação positiva. Este é modo de reparar injustiças sociais é hoje bastante disseminado no mundo.
Atualmente, na sociedade brasileira, têm-se a percepção de que o negro só pode ascender socialmente através do esporte e da arte. Portanto, os modelos para os negros provavelmente vêm desses dois tipos de atividades. Pesquisas mostram em alguns casos que “quando, numa população o número de modelos sociais e econômicos (pessoas que sejam pelo menos de “classe média”) chega a uma proporção muito baixa (algo em torno de 5%), a violência, o consumo de drogas, o abandono escolar e a gravidez na adolescência crescem explosivamente” (Sell, op.cit., há outras pesquisas no mesmo sentido comentadas nesta obra). Portanto, privar os negros brasileiros da esperança de conquistar um lugar ao sol também tende a mantê-los na situação marginal em que se encontram.
Ações afirmativas não vão resolver o problema do racismo cordial brasileiro, mas no mínimo vão chamar a atenção dos brasileiros para ele e provavelmente minorá-lo. Somente uma melhora sensível nos níveis de emprego, na distribuição de renda e nas políticas sociais poderá contribuir de forma permanente para a melhoria do padrão de vida dos brasileiros, particularmente os negros.

Este texto foi adaptado. Leia o texto na íntegra:

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Não a limpeza étnica! Sim aos direitos humanos!


Faço minhas as palavras abaixo do  diretor de Direitos Humanos da UNE, Rodrigo Mondego.

Durante a última semana observamos a grande onda de violência e ataques contra veículos no Rio de Janeiro, estes que desencadearam a invasão e tomada das comunidades do Complexo da Penha e Complexo do Alemão. A operação contou com a participação da polícia civil, militar, federal e forças armadas, sob o intuito de: “Retomar aquele território de volta para o Estado” assim como o governador Sergio Cabral definiu.

Para conquistar o grande objetivo da operação, as forças do Estado não mediram esforços e simplesmente ignoraram alguns direitos básicos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e nossa Constituição Federal. Podemos citar:

- Muitos suspeitos que foram detidos não tiveram, até o momento contato com nenhum advogado ou defensor público. Sendo que o critério que torna o cidadão suspeito, varia entre o fato de se ter passagem na polícia ou possuir porte ilegal de armas, além do fator étnico e etário.

(Vale lembrar que enquanto todas essas execuções acontecem, crianças estão há dias sem aula e que isto cria uma enorme e preocupante margem de susceptibilidade destas para entrar para o tráfico).

-Centenas casas foram invadidas e reviradas sem nenhum mandado emitido pela justiça. Imaginem se 30 mil residências da Zona Sul teriam o mesmo aval da sociedade para ser invadidas sem mandados?

-Algumas mortes de suspeitos têm indícios de execução sumária.

Mesmo com todas essas violações o desfecho poderia ter sido ainda pior, se seguisse à lógica da ocupação do complexo do alemão em 2007, onde todas as mortes tinham indícios de execuções sumárias feitas por agentes do Estado. É público e notório a insatisfação de setores da sociedade com o desfecho da ocupação do complexo do alemão agora em 2010. O fato de ter ocorrido “apenas” cerca de 50 mortes, desde o inicio dos conflitos vividos durante esta última semana, frustrou quem queria ver ainda mais carnificina ao vivo na TV, divulgado principalmente por programas de caráter sensacionalistas e sem nenhuma preocupação ética para com a sociedade.

O discurso anti-Direitos Humanos esta sendo visto abertamente. Nas ruas, nas redes sociais e na mídia, ouvimos coisas como:

“Direitos Humanos para Humanos Direitos.”

“Direitos Humanos só serve pra bandido”

“Morte aos bandidos.”

“Tem que subir o morro passando o cerol em todo mundo.”

“Esses ai não tem jeito, era a oportunidade de livrar a sociedade dessa vagabundagem para sempre.”

Estas invasões e represálias das forças armadas nas comunidades não passam de uma varredura da poeira para debaixo do tapete. Enquanto não houver  um trabalho funcional de inclusão social dos grupos considerados marginalizados não haverá paz!

Esse discurso, que para nós do movimento social é inaceitável, vem ganhando eco na sociedade e ainda mais adeptos. Nos últimos anos os Direitos Humanos sofrem ataques sistemáticos da grande mídia. O lançamento do 3° Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3) agravou ainda mais isso, um grande “bloco reacionário” da sociedade ( composto pela igreja, ruralistas, grande mídia, militares ... ) começou a agir de maneira uniforme para atacar o programa.
Apesar da recente vitória vivida pela esquerda na última eleição presidencial, o conservadorismo avançou como nunca no último período.

O discurso homofóbico, xenófobo (contra os nordestinos) e machista, foi usado como plataforma de campanha por diversos candidatos no último pleito. O “bloco conservador” aumentou no congresso nacional, algo preocupante, pois se vê que este discurso vem ganhando espaço não só na sociedade, mas também no poder legislativo.

É tarefa prioritária dos movimentos sociais impedirem que esses sujeitos ganhem força na sociedade, disputando corações e mentes na defesa dos Direitos Humanos. Pois é muito fácil ser contra os Direitos Humanos, quando se passou a vida inteira desfrutando deles.

DIREITOS HUMANOS, SIM!

leia também:
http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/838985-barbara-gancia-da-para-comemorar-combate-a-violencia-no-rio.shtml

domingo, 28 de novembro de 2010

Yes, we can!


GOVERNO DOS EUA LANÇA EDITAL PARA FINANCIAR PROJETOS SOCIAIS DE PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL NO BRASIL



O Governo dos Estados Unidos, em parceria com a BrazilFoundation, e com apoio do Governo do Brasil através da SEPPIR, lança amanhã (segunda-feira, 29 de novembro), às 13h, no Consulado Geral dos EUA do Rio, o edital para a seleção de projetos sociais que serão apoiados pelo Plano de Ação Conjunto Brasil – Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e  Étnica – JAPER. Cada projeto selecionado, que deverá ter duração de um ano, receberá financiamento de até R$ 25 mil do Governo dos EUA.
A seleção de projetos sociais é aberta a organizações da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, com foco na promoção da igualdade racial e étnica, através da educação e da cultura. Três áreas principais serão contempladas: a educação voltada à inclusão racial, o acesso à justiça e a promoção da equidade étnica e racial na mídia.  uhuuuuuuuuuuullll
O lançamento do edital contará com a presença do Cônsul Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Dennis Hearne, da Conselheira para Assuntos de Imprensa, Educação e Cultura da Embaixada dos EUA em Brasília, Adele Ruppe e de representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR).
Os projetos deverão ser encaminhados ao escritório da BrazilFoundation no Rio de Janeiro, organização parceira e responsável pelos processos de seleção e monitoramento dos projetos que serão apoiados. A data de postagem no correio será considerada como comprovante. A divulgação dos projetos pré-selecionados será feita pela BrazilFoundation em seu site, em 11 de abril de 2011. 
O Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos – JAPER, assinado em março de 2008, tem compromisso com a colaboração profunda e contínua entre os dois governos, a fim de eliminar a discriminação racial e étnica e promover a igualdade de oportunidades em ambos os países.

Após a apresentação do edital, o Cônsul Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Dennis Hearne, e a Conselheira para Assuntos de Imprensa, Educação e Cultura da Embaixada dos EUA em Brasília, Adele Ruppe, estarão disponíveis para responder às perguntas da imprensa.

SERVIÇO:
O que: 
Lançamento do edital para seleção de projetos sociais a serem apoiados pelo Plano de Ação Conjunto Brasil – Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e  Étnica – JAPER.
Quando: Segunda-feira, 29 de dezembro de 2010, às 13h
Onde: Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro – Av. Presidente Wilson, 147, Centro – Rio de Janeiro